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Brasil

Em 1989, debate presidencial tratou de legado da ditadura e reforma agrária (vídeos)

Encontro promovido pela Band reuniu nove dos 22 candidatos daquela disputa

(Foto: Reprodução YouTube)
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Glauco Faria, do Brasil de Fato - Desde 1989, com a realização das primeiras eleições presidenciais após a ditadura civil-militar, o Brasil convive com debates de televisão. Dali saíram alguns embates históricos, com bate-bocas, expressões e frases que acabaram celebrizadas no jargão político e no imaginário popular.

A Band foi a primeira emissora a realizar um encontro entre os presidenciáveis na redemocratização. Com mediação da jornalista Marília Gabriela e com regras mais flexíveis que as de hoje, participaram naquela ocasião os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Leonel Brizola (PDT), Paulo Maluf (PDS), Roberto Freire (PCB), Affonso Camargo (PTB), Aureliano Chaves (PFL), Ronaldo Caiado (PSD), Mário Covas (PSDB) e Guilherme Afif Domingos (PL). Fernando Collor (PRN) e Ulysses Guimarães (PMDB) também foram convidados, mas não compareceram.

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Reforma agrária e UDR

No ano anterior, o Brasil havia promulgado sua nova Constituição e muitos dos debates que aconteceram na Assembleia Constituinte ainda reverberavam. Um deles era sobre a reforma agrária. Além disso, o contexto de violência no campo havia chegado às manchetes dos jornais de todo o mundo após o assassinato, em dezembro de 1988, do líder sindical e ambientalista Chico Mendes. O jornalista José Paulo de Andrade perguntou a Ronaldo Caiado: "Até quando brasileiros vão morrer pelo sonho de ter a sua terra", escolhendo ainda Lula para comentar a resposta (no vídeo abaixo, a partir de 31:20).

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 "Queriam penalizar a terra produtiva fazendo cortesia com o chapéu alheio", disse o candidato do PSD, a respeito do travamento das discussões sobre reforma agrária na Assembleia Constituinte. Lula observou que "tinha muita gente contra a reforma agrária" na Constituinte. "Nós defendemos propriedade para todo mundo, não para alguns privilegiados. O que nós queríamos na verdade é que não apenas as terras devolutas mas os latifúndios improdutivos também fossem distribuídos."

Mais adiante, o jornalista voltaria a questionar o candidato do PSD: "A UDR no poder vai ganhar no grito, Ronaldo Caiado?", perguntou. A União Democrática Ruralista, que teve Caiado, hoje governador de Goiás, como um de seus fundadores, uniu grandes proprietários de terra nos anos 1980 fazendo lobbies no Congresso Nacional e com um histórico ligado a conflitos fundiários. "A UDR mostrou como fazer democracia, tanto mostrou que todas as vitórias que obtivemos foram na arena democrática, no campo raso do Congresso Nacional", afirmou.

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Leonel Brizola (PDT) não deixou para menos em seu comentário. "Imaginar a UDR no governo é uma piada", desancou. "Um movimento que surgiu baseado em muito dinheiro, gente poderosa se deslocando para Brasília daquela forma, sub-repticiamente apoiado pelo quarto poder, e principalmente pelo grande capital, que através desse movimento estava defendendo concessões de terra que recebeu durante a ditadura."

Filhote da ditadura

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Aqueles que não vivenciaram as eleições de 1989 mas que escutam o podcast Medo e Delírio em Brasília devem estar habituados a uma frase dita por Paulo Maluf em um dos debates do primeiro turno de 1989: "Não lhe dou aparte". Originalmente, o candidato do PDS havia negado a intervenção a Leonel Brizola. 

Ao exercer um direito de resposta, Maluf dizia que queria debater ideias, afirmando que "quem é desequilibrado não pode ser candidato à Presidência da República", referência pouco velada ao rival pedetista. Brizola pede um aparte, instrumento que podia ser utilizado àquela altura, mas o pedessista nega.

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"Filhote da ditadura", retruca Brizola, afirmando que Maluf "não tinha coragem de defender a ditadura". De fato, naquele período figuras política se negavam a se associar ao regime militar, não só por conta da repressão, mas também em função de seus desastrosos resultados sociais e econômicos. 

 

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